
Entidade defende intensificação das negociações diplomáticas e diversificação dos mercados para preservar renda e empregos
A partir de hoje (22/07), entra em vigor a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros. A medida afeta diretamente importantes itens da pauta exportadora do agronegócio pernambucano, com destaque para o açúcar e as uvas de mesa, comprometendo a competitividade no mercado norte-americano.
Em 2025, considerando toda a nossa economia, Pernambuco exportou US$ 126,1 milhões para os Estados Unidos. Desse montante, US$ 68 milhões, o equivalente a 54%, vieram do agronegócio. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe) avalia que embora o mercado americano tenha representado, ano passado, apenas 9% das exportações do setor, parcela que já chegou a superar 30% no início dos anos 2000. O estado comercializa anualmente com cerca de 40 países, os Estados Unidos permanecem como um parceiro-chave para a diversificação dos nossos compradores.
Os principais itens exportados para os EUA foram o açúcar, que totalizou US$ 30,1 milhões em 2025 (8,3% das exportações estaduais do produto); as uvas de mesa, com US$ 10,5 milhões (9,4%); as mangas, com US$ 5,5 milhões (3,1%); e os inhames, com US$ 4,86 milhões, que representa 85% das exportações pernambucanas desse item.

O impacto das novas tarifas varia conforme o produto. O açúcar, que enfrentava uma alíquota próxima de 12,5%, passa a uma tributação total em torno de 37,5%. As uvas de mesa, cuja tarifa varia conforme o volume exportado, também passa a sofrer o acréscimo de 25%, reduzindo sua competitividade frente a concorrentes como o Chile, cujo acesso ao mercado norte-americano tem tarifa de importação. As mangas, por sua vez, foram incluídas na lista de exceções e continuarão sujeitas apenas à tarifa específica por quilograma. Já os inhames terão sua alíquota elevada de 6% para 31%.
Os dados do primeiro semestre deste ano de Pernambuco, já apontam redução nas exportações para os Estados Unidos em relação ao mesmo período do ano anterior, cenário que deverá se intensificar com a entrada em vigor da nova política tarifária.
A imposição da nova tarifa provoca incertezas e alterações nos fluxos do comércio internacional. Medidas dessa natureza desestabilizam relações comerciais consolidadas, redirecionam produtos para novos mercados, dificultam logísticas e modificam a estrutura de incentivos, que orienta as decisões de exportadores e importadores. Como consequência, cadeias produtivas e comerciais estabelecidas para períodos sazonais convenientes ao longo de anos precisarão ser reorganizadas, com impactos sobre preços e custos logísticos.
“Diante desse cenário, torna-se fundamental a intensificação das negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, bem como a busca por novos mercados para nossos produtos, de forma a preservar a competitividade do setor, reduzir riscos e assegurar a manutenção da renda e dos empregos gerados pelo agronegócio”, afirma o presidente da Faepe, Pio Guerra.